domingo, 27 de fevereiro de 2011

"Era uma boa pessoa."

Todos em seu funeral. Ninguém a conhecia direito, nem sua própria família (o que era para ser as pessoas mais importantes da vida dela. Não, não eram.) Ninguém tinha nada a dizer. Era estranho, aquela pessoa estava morta, mas não parecia muito viva quando seu coração estava batendo. Era um enigma, e ninguém se importou em decifrá-lo. Silêncio. Porém, todos tentavam relembrar um momento com ela. Nada. Quer dizer, tinham, muitos até, só que nenhum fora suficiente para amenizar a dor. Mais uma vez: era estranho. Os médicos que tentaram revivê-la, também estavam ali, quietos, como todos. Um dizia baixo para o outro que a taxa de suicídio só havia subido. Sim, foi um suicídio. Ela (ou esse ser) não conseguiu espantar seus fantasmas interiores, trocou sua vida 'ser vivo' por uma noite eterna num túmulo frio e escuro. Não havia mais nada a fazer, ela já estava ali, morta, e ninguém entendia. (Ninguém entendia as duas coisas, o suicídio e a própria garota.) Todos continuavam a olhar, ali, paralisados, tentando buscar algo na mente, nada. Nenhum dos que estavam ali pensou na situação mais óbvia. Talvez esse suicídio nunca teria acontecido, talvez ela só precisava ser entendida, de alguém que a entendesse. "Mas ninguém se importava em decifrar o enigma." Preferiam dizer que a garota estava com problemas psicológicos. Mas agora é tarde demais, ela já se foi. E o silêncio ali continua...

                                                                                                              Karry H.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Até quando pode-se aguentar um sufoco?

Depressão?



"Você está sozinho. Olha em volta, nada. Olha para baixo, começa a pensar. Você entra numa espécie de linha do tempo, relembra por tudo que já viveu. Mas, e agora? O que restou daquilo? Meras lembranças que só me fazem sentir mal quando lembro delas! Estúpido! Agora eu estou num quarto vazio, nada daquilo importa mais, passou. Um quarto vazio, porém cheio de dúvidas, remorsos, arrependimentos. (Não se pode confundir remorso com arrependimento.) Não quer pensar em mais nada. Ora! Então durma! Mas não pode dormir, não consegue. Diz que daria tudo para voltar ao passado. Daria? Daria o que? Sua existência se resume em reclamar de tudo e de todos, de como a vida é cruel. Dar isso? Quem iria aceitar? Sabe de tudo isso, sabe que não adiantará nada se lamentar em um quarto escuro a vida toda. Mas... quem disse que consegue se levantar e dizer um basta? Não. Ficar na lama é mais fácil. Dói. Dói muito, ai é que está a pergunta, gostamos ou não gostamos da dor? Chega, chega. Você se vê perdido em seus próprios pensamentos, não sabe mais o que está pensando. Mas como saber em que está pensando, se nem sabe quem és!
A última frase veio à tona. Agora você reflete. Não entende nada, mas reflete. Relembrando: Você está num quarto vazio, frio e escuro, mas está numa multidão de sentimentos. Não sabe de mais nada, só quer que pare. Pare, pare! Você respira. Então resolve abrir a janela. As coisas parecem um pouco mais claras. Há um minuto atrás você participou da pior briga. Uma briga difícil, porém a unica que será util para a vida toda. A briga da sua mente. Você ainda parece meio tonto, mas está começando a entender. Era como um suicídio. Você quase morreu! Aliás, você queria morrer. Resolve então entender as coisas, essas coisas. "Coisas" pode ter inúmeros significados, sendo assim, a batalha será longa. A batalha que vai te fazer reviver por dentro."

Já não se sentia alguém diante do próprio fim; via-se como um ser humano em reconstrução.