domingo, 27 de fevereiro de 2011

"Era uma boa pessoa."

Todos em seu funeral. Ninguém a conhecia direito, nem sua própria família (o que era para ser as pessoas mais importantes da vida dela. Não, não eram.) Ninguém tinha nada a dizer. Era estranho, aquela pessoa estava morta, mas não parecia muito viva quando seu coração estava batendo. Era um enigma, e ninguém se importou em decifrá-lo. Silêncio. Porém, todos tentavam relembrar um momento com ela. Nada. Quer dizer, tinham, muitos até, só que nenhum fora suficiente para amenizar a dor. Mais uma vez: era estranho. Os médicos que tentaram revivê-la, também estavam ali, quietos, como todos. Um dizia baixo para o outro que a taxa de suicídio só havia subido. Sim, foi um suicídio. Ela (ou esse ser) não conseguiu espantar seus fantasmas interiores, trocou sua vida 'ser vivo' por uma noite eterna num túmulo frio e escuro. Não havia mais nada a fazer, ela já estava ali, morta, e ninguém entendia. (Ninguém entendia as duas coisas, o suicídio e a própria garota.) Todos continuavam a olhar, ali, paralisados, tentando buscar algo na mente, nada. Nenhum dos que estavam ali pensou na situação mais óbvia. Talvez esse suicídio nunca teria acontecido, talvez ela só precisava ser entendida, de alguém que a entendesse. "Mas ninguém se importava em decifrar o enigma." Preferiam dizer que a garota estava com problemas psicológicos. Mas agora é tarde demais, ela já se foi. E o silêncio ali continua...

                                                                                                              Karry H.

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